Câncer de mama: novo teste genético no SUS pode ajudar na prevenção, diagnóstico e tratamento

Câncer de mama: novo teste genético no SUS pode ajudar na prevenção, diagnóstico e tratamento

O Ministério da Saúde anunciou a incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) de um exame capaz de detectar mutações genéticas associadas ao câncer de mama hereditário. A medida foi publicada em portaria no Diário Oficial da União (DOU) na última segunda-feira, 11, e deve começar a ser disponibilizada em até 180 dias.

O teste identifica alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, mutações frequentemente ligadas a casos hereditários da doença. Realizado por meio de sequenciamento de nova geração, o exame ajuda a descobrir a origem genética do tumor e contribui para decisões clínicas mais precisas e individualizadas.

Segundo Daniel Musse, oncologista do Hospital Federal dos Servidores do Estado e integrante das sociedades Brasileira, Americana e Europeia de Oncologia Clínica, o exame também permite identificar pessoas com maior risco de desenvolver câncer de mama ou câncer de ovário.

De acordo com o especialista, a iniciativa representa um importante avanço na prevenção e no acompanhamento intensivo de pacientes com predisposição genética. Ele destaca que a identificação precoce aumenta as chances de detectar tumores em estágios iniciais, quando as possibilidades de cura são maiores.

O exame é considerado especialmente importante para mulheres diagnosticadas com câncer de mama antes dos 50 anos ou que possuem histórico familiar significativo da doença. Pacientes com tumores bilaterais também podem ser indicadas para realizar o teste, já que apresentam maior probabilidade de possuir alterações genéticas hereditárias.

Além de auxiliar no diagnóstico e prevenção, o resultado do exame poderá influenciar diretamente na escolha do tratamento, incluindo a indicação de terapias específicas para pacientes com essas mutações. O teste também pode ajudar no monitoramento de familiares que apresentam risco aumentado de desenvolver a doença.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que o câncer de mama é o segundo tipo mais comum entre as mulheres e representa cerca de 30% dos casos de câncer feminino no Brasil. A estimativa é de 78.610 novos casos por ano entre 2026 e 2028, com risco estimado de 71,57 casos a cada 100 mil mulheres.

No cenário mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que aproximadamente 2,3 milhões de mulheres receberam o diagnóstico de câncer de mama em 2022, enquanto cerca de 670 mil morreram em decorrência da doença.

Os fatores de risco estão relacionados a questões hormonais, reprodutivas, estilo de vida, fatores ambientais e predisposição genética. O principal fator é a idade, especialmente após os 50 anos. Entre os fatores associados estão menarca precoce, menopausa tardia, uso de contraceptivos hormonais e terapia de reposição hormonal na pós-menopausa.

Especialistas também alertam para fatores modificáveis, como excesso de gordura corporal, sedentarismo e consumo de álcool. Exposição à radiação ionizante e trabalho noturno também são considerados fatores de risco para a doença.

Os sintomas do câncer de mama podem variar, principalmente em fases mais avançadas. Entre os sinais de alerta estão nódulos ou espessamentos na mama, alterações no tamanho ou formato, vermelhidão e mudanças na pele, alterações no mamilo ou aréola e saída espontânea de secreção, especialmente com presença de sangue.

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