El Niño pode aumentar casos de dengue, zika e outras doenças infecciosas no Brasil

El Niño pode aumentar casos de dengue, zika e outras doenças infecciosas no Brasil

As mudanças climáticas extremas provocadas pelo fenômeno El Niño podem agravar o cenário de saúde pública no Brasil, favorecendo o aumento de doenças infecciosas e de problemas respiratórios e cardiovasculares. O alerta é da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), vinculada às Nações Unidas (ONU), em relatório divulgado na última terça-feira (7/7).

De acordo com o documento, a combinação de secas prolongadas, chuvas intensas e temperaturas acima da média cria condições favoráveis para a proliferação de mosquitos transmissores de doenças como dengue, zika, chikungunya, malária, febre amarela e oropouche. Além disso, a fumaça causada pelos incêndios florestais, principalmente na Amazônia e no Pantanal, pode elevar o número de internações por doenças respiratórias e cardiovasculares, afetando especialmente crianças e idosos.

A Opas classifica o Brasil como um país de risco médio para enfrentar uma crise de saúde pública em 2026 em decorrência dos impactos do El Niño. A avaliação leva em consideração fatores como vulnerabilidade da população, capacidade dos serviços de saúde e condições estruturais do país. Argentina, Bolívia e Peru também aparecem na mesma categoria de risco.

Em toda a região das Américas, o relatório aponta risco muito alto para a ocorrência de arboviroses, grupo de doenças transmitidas por mosquitos, além do aumento dos casos relacionados ao estresse térmico. O calor extremo é considerado atualmente a principal causa de mortes associadas às mudanças climáticas, com maior impacto sobre idosos, bebês, gestantes, pessoas com doenças preexistentes e trabalhadores expostos ao sol.

O documento também alerta para a possibilidade de crescimento das doenças transmitidas pela água, como cólera e leptospirose, em razão das enchentes e do aumento das chuvas. Outro ponto de preocupação é a perda de safras provocada por secas e inundações, que pode agravar casos de desnutrição. Eventos climáticos extremos também podem favorecer surtos de sarampo em locais onde populações deslocadas acabam vivendo em situação de aglomeração.

Além dos impactos físicos, a Opas destaca que os desastres climáticos podem provocar consequências para a saúde mental. Pessoas que enfrentam perdas materiais, interrupção da renda, deslocamentos forçados e dificuldade de acesso a recursos básicos estão mais suscetíveis ao desenvolvimento de transtornos psicológicos.

O relatório ainda ressalta que secas, chuvas intensas e enchentes podem comprometer o funcionamento de hospitais e unidades de saúde, dificultando o atendimento à população justamente nos períodos de maior necessidade. Como exemplo, a organização relembra os impactos do forte El Niño registrado entre 1997 e 1998, quando chuvas excepcionais causaram grandes danos à infraestrutura de saúde no Peru e no Equador. Situações semelhantes podem ocorrer em áreas vulneráveis do Sul do Brasil.

Para reduzir os impactos, a Opas recomenda o fortalecimento da vigilância epidemiológica, a intensificação das campanhas de vacinação, a identificação precoce de pacientes em situação de risco e a adoção de estratégias como telemedicina, equipes móveis e distribuição descentralizada de medicamentos. A entidade também defende que hospitais revisem seus planos de contingência para garantir o funcionamento de serviços essenciais durante eventos climáticos extremos, além do fortalecimento dos sistemas de alerta para ondas de calor e para os efeitos da fumaça provocada por incêndios florestais.

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