O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve, na manhã desta segunda-feira (6), uma conversa por videochamada com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O principal tema do diálogo foi o recente pacote de tarifas anunciado por Washington, que impôs taxas de até 50% sobre produtos brasileiros como café, carne e frutas.
Participaram da reunião, no Palácio da Alvorada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o chanceler Mauro Vieira e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Segundo Haddad, o encontro foi “positivo” e demonstrou disposição de ambos os governos em buscar alternativas para o impasse comercial. Até o momento, porém, nenhum dos países divulgou oficialmente detalhes sobre as tratativas.
Durante a conversa, Lula reforçou que o Brasil está aberto ao diálogo e à cooperação econômica, mas ressaltou que “a soberania nacional não é negociável”. Do lado norte-americano, assessores de Trump teriam mencionado questões políticas internas, incluindo o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como fator de tensão entre os países — argumento que o Planalto considera inadequado, por se tratar de um assunto sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal (STF).
O contato foi confirmado na noite de domingo (5) e integra a estratégia do governo brasileiro de manter o canal diplomático aberto, evitando, por enquanto, um encontro presencial entre os dois líderes. De acordo com o Itamaraty, está em avaliação a criação de um grupo de trabalho bilateral para discutir a redução das tarifas.
A conversa entre Lula e Trump foi combinada durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, em Nova York, quando ambos trocaram breves cumprimentos e manifestaram interesse em retomar o diálogo.








