A sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pretende reduzir algumas tarifas aplicadas ao café importado abriu uma nova frente de expectativa para o setor cafeeiro brasileiro, que desde agosto enfrenta um tarifaço de 50% sobre o produto. A medida, adotada pelo governo americano em meio a tensões comerciais, provocou uma queda acentuada nas exportações brasileiras ao seu principal mercado consumidor, gerando prejuízos expressivos para produtores e cooperativas. Em Goiás, o impacto também foi significativo, com retração de 53,4% nas vendas de café não torrado em grão aos Estados Unidos entre agosto e outubro de 2025.
A declaração de Trump foi dada durante entrevista à Fox News. Apesar de ele não ter especificado quais países seriam contemplados pela revisão tarifária, o mercado considera praticamente certo que o Brasil está entre os beneficiados, já que é o maior exportador global de café e o principal fornecedor do grão para o consumo americano. Além disso, a queda nos estoques internos dos Estados Unidos, somada à inflação do café no varejo e à pressão de grandes indústrias do setor, aumenta a urgência do governo americano em rever as tarifas impostas.
Para a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), o momento é de cautela, porém com otimismo. O gerente técnico da entidade, Edson Alves Novaes, afirma que o anúncio reacende as esperanças de retomada das exportações após meses de retração. Segundo ele, a fala do presidente americano traz nova perspectiva ao setor, que busca recuperar os prejuízos acumulados desde o início da taxação, já que os Estados Unidos continuam sendo o principal destino do café brasileiro.
O impacto do tarifaço foi profundo. Apenas em outubro de 2025, as exportações brasileiras de café para os Estados Unidos caíram 54,4% em relação ao mesmo mês de 2024, atingindo 347,5 mil sacas. No período acumulado entre agosto e outubro, o recuo foi de 51,5%. Em Goiás, onde o café tem ganhado espaço pela qualidade e pela expansão da produção, os números também registraram queda expressiva: as exportações de café in natura despencaram de 833 para 388 toneladas no período, reduzindo a receita estadual. Considerando os dados de janeiro a outubro, as vendas de café goiano para os Estados Unidos caíram 17,5%, passando de 1,8 mil para 1,5 mil toneladas.
Segundo Edson Novaes, a sobretaxa reduziu a competitividade do café brasileiro e goiano em relação a outros grandes produtores, como Colômbia e Vietnã. Além de afetar preços, a medida alterou a composição dos blends utilizados pela indústria americana, e especialistas alertam que recuperar espaço perdido pode ser um desafio caso a tarifa não seja revista rapidamente.
Apesar do cenário desfavorável, a sinalização de revisão tarifária animou produtores e indústrias do setor. A Faeg avalia que o fim da sobretaxa pode gerar efeitos positivos já no curto prazo, permitindo que empresas goianas retomem as vendas para os Estados Unidos. Com a normalização das compras americanas, há expectativa de que os preços retornem gradualmente aos patamares anteriores, embora a redução da tarifa não aumente a oferta global de café, que ainda permanece limitada.
O Brasil continua sendo o principal provedor de café para os Estados Unidos, mesmo com a forte queda das exportações. Entre janeiro e outubro de 2025, os americanos importaram 4,7 milhões de sacas, volume 28,1% menor que o registrado no ano anterior. Em Goiás, a expectativa é de retomada e possível expansão caso o governo americano confirme a redução tarifária.
Para evitar novas surpresas e construir uma política comercial mais estável, a Faeg defende que o Brasil fortaleça o diálogo diplomático com os Estados Unidos. A esperança do setor é que o café seja retirado da seção 3 da ordem executiva americana, que engloba produtos naturais não produzidos internamente, mas ainda taxados, e passe para a seção 2, que permite tarifa zero. Edson Novaes destaca que manter e ampliar a relação bilateral é essencial e que a diplomacia continua sendo o melhor caminho para preservar mercados.
Com pressões internas, inflação elevada e indústrias americanas enfrentando dificuldades para recompor estoques, o governo Trump deve anunciar nas próximas semanas os detalhes da revisão tarifária. Enquanto isso, o setor cafeeiro brasileiro acompanha com atenção, e Goiás, que sentiu com força os efeitos do tarifaço, aguarda a oportunidade de recuperar sua posição no mercado americano.








