A China passou a reconhecer oficialmente todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, uma decisão que fortalece a posição do Brasil no comércio internacional de proteínas animais. O anúncio foi feito por meio de um comunicado conjunto da Administração Geral das Alfândegas da China e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais do país asiático.
Segundo o documento, após avaliação dos riscos sanitários, foi suspensa a restrição anteriormente aplicada a regiões do Brasil, permitindo que todo o país seja considerado livre da doença. A medida representa um importante avanço para o agronegócio brasileiro e deve impulsionar ainda mais as exportações para o mercado chinês.
O governo brasileiro recebeu a confirmação oficial na madrugada desta terça-feira (2). O reconhecimento era aguardado desde junho do ano passado, quando o Brasil conquistou o status de livre de febre aftosa sem vacinação concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
A conquista também foi tema de negociações recentes entre autoridades dos dois países. Durante visita oficial à China, realizada em maio, o ministro da Agricultura reforçou o pedido de reconhecimento, considerado estratégico para ampliar o acesso de produtos brasileiros ao mercado chinês.
Com a nova classificação sanitária, o Brasil ganha condições de avançar em negociações para exportar novos produtos de origem animal, como carne bovina com osso, miúdos bovinos e suínos, além da chamada pedra de fel bovina, utilizada pela indústria farmacêutica. Esses produtos exigem que o país exportador possua o status de livre de febre aftosa sem vacinação.
O setor de carne suína também deve ser beneficiado. Atualmente, parte das exportações para a China está concentrada em Santa Catarina, mas a expectativa é que frigoríficos de outros estados possam ampliar sua participação nesse mercado. Além disso, a comercialização de couro wet blue tende a ser facilitada, reduzindo exigências sanitárias específicas.
Especialistas avaliam ainda que o protocolo de exportação de carne bovina entre Brasil e China deverá passar por atualizações para acompanhar o novo cenário sanitário.
O reconhecimento soma-se a outra conquista recente do Brasil: o enquadramento como país de risco insignificante para a encefalopatia espongiforme bovina (EEB), conhecida popularmente como “mal da vaca louca”. Juntos, os dois avanços reforçam a confiança chinesa nos produtos agropecuários brasileiros.
A China é atualmente o principal destino das carnes produzidas no Brasil. Em 2025, os embarques de carne bovina, suína e de frango para o país asiático ultrapassaram 2 milhões de toneladas, gerando receitas próximas de US$ 10 bilhões. Com as novas condições sanitárias reconhecidas, a expectativa é de crescimento nas exportações e abertura de novas oportunidades para o setor agropecuário nacional.







